Dizer que toda a minha consciência tinha ido ao ar é dizer pouco. Naquela altura estava totalmente perdida, apesar de tantos dias a tentar convencer-me de que o que eu sentia era apenas uma obcessão perfeitamente irracional.
O suave toque dos lábios de Andrew no meu pescoço, contrastava com todo aquele jeito áspero, que o seu físico aparentava. Aquele perfume... Aquele corpo... Aqueles lábios na minha pele... Tudo me levava para uma outra dimensão... Uma dimensão onde apenas existia uma única sensação: o meu corpo junto ao dele. Apenas isso, nada mais...
Conseguia sentir as nossas respirações a ficarem cada vez mais rápidas e superficiais e, no momento em que ganhei coragem para lhe fazer o mesmo, Andrew deslizou as suas mãos que estavam no fundo das minhas costas, para as minhas coxas, pondo-me a mim contra a mesa que estava atrás de nós e, para minha surpresa, levantou-me para que eu me sentasse em cima da mesa e de imediato se colocou entre as minhas pernas.
As suas mãos deixaram as minhas coxas e lentamente pousaram sobre a minha face. Os nossos olhos fixos um no outro. Os meus braços a não largarem o seu pescoço, como se a minha vida dependesse disso.
Ele era lindíssimo... Com uns olhos mais penetrantes do mundo, como se vissem a nossa alma. Um corpo de levar à loucura qualquer mulher.... De me levar à loucura a mim própria.
De repente, como se estivéssemos sincronizados, os nossos olhares voltaram-se para os lábios do outro. Queria beijá-lo, mais do que tudo na minha vida. Sentir aquela suavidade não no meu pescoço mas sim nos meus próprios lábios. Queria perder-me com ele e nunca mais ser encontrada. Lendo os meus pensamentos, Andrew aproximou-se lentamente de mim, tocando o seu nariz no meu, os nossos lábios a milímetros de distância e fechámos os olhos instintivamente. O único ruído que conseguia ouvir era o das nossas respirações, fortes, rápidas, pesadas, antecipando aquilo que eu sabia que ambos queríamos.
Do nada, ouvimos a porta a bater. "Mel, porque é que cheira tanto a queimado?"
Porra!
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